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Gene enfraquece implante dental

Estudo da PUC-PR identifica fator genético,
presente em cerca de 30% da população, que contribui para problema

Pesquisadores coordenados pela professora Paula Cristina Trevilatto, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), conseguiram detectar a influência de fatores genéticos na perda de implantes dentais, um problema que atinge cerca de 3,5% das pessoas que se submetem à técnica por ano. "O trabalho mostra a primeira evidência disso na literatura mundial", diz Paula.

O implante consiste na colocação de um parafuso de titânio no osso e o custo médio pode variar de R$ 1 mil a R$ 3 mil. Para que tenha sucesso, é preciso que ambos se integrem. Cerca de 10 milhões de implantes são realizados por ano no mundo. No Brasil, cerca de 20% da população já perdeu todos os dentes, segundo o Ministério da Saúde. Outros estudos apontam que só 10% dos brasileiros entre 65 e 74 anos de idade têm 20 dentes ou mais na boca.

Entre os pacientes com múltiplas perdas de implantes, os pesquisadores da PUC-PR observaram alelos (uma das formas alternativas de um gene) do grupo da interleucina 1 (proteína secretada por células do sistema imunológico) que enfraquecem o processo anti-inflamatório natural. Por causa dessa particularidade genética, há dificuldade de integração do titânio ao osso. A estimativa é de que entre 25% e 30% da população tenha esse alelo, o que aumenta em até três vezes o risco de perder um implante.

PREVENÇÃO

"No futuro, um kit de diagnóstico molecular poderá ser desenvolvido para identificar indivíduos com maior risco de perder implantes", estima a coordenadora do estudo. "Podem até mesmo ser desenvolvidas moléculas sintéticas para contornar o problema."

De acordo com os pesquisadores, há fatores sociais e clínicos que levam à perda de implantes dentais, dos quais o tabagismo e a má qualidade dos ossos estão entre os principais. "Mas há pessoas que têm uma propensão a múltiplas perdas e nunca se sugeriu uma evidência de base genética", diz Paula. Os pesquisadores estão entrando com pedido de patente sobre a descoberta.

Eles se debruçaram na análise dos prontuários de 3.578 pacientes que receberam implante dentário no Instituto Latino-Americano de Pesquisa e Ensino em Odontologia (Ilapeo), de Curitiba, no período de 1996 a 2006. Desses, 126 tiveram perdas. Um exame de DNA foi realizado em 90, comparando-se com outros 176 que não apresentaram nenhum problema.

De acordo com Paula, a coleta de material para o exame genético é feita com um simples bochecho de água com açúcar. "Não é invasivo para o paciente", explica. Ela espera que se torne uma rotina, o que pode baratear o custo do exame, cujo valor ainda não está definido. Com base nesses primeiros resultados e na análise de outros genes, poderá ser desenvolvido um kit que identifique precocemente o risco maior de perda de implante. "Assim pode ser possível a prevenção, o planejamento de terapia individualizada."

O trabalho foi apresentado no ano passado em um congresso de odontologia promovido pela International Association for Dental Research, em Toronto, no Canadá. No próximo mês, os pesquisadores vão aos EUA para divulgá-lo. A pesquisa foi patrocinada pela empresa Neodent Implante Osteointegrável.

O implantodontista Mário Groisman considera a descoberta muito interessante e espera a publicação da pesquisa na revista inglesa Clinical Oral Implants Research, uma das mais importantes da área. "Com um exame que prevê a predisposição ao problema poderemos desenvolver terapias que controlem a influência da interleucina", aponta Groisman. "Há pesquisas parecidas sobre a ação de bactérias nos processos inflamatórios periodontais, mas é a primeira vez que encontro um trabalho que investiga causas genéticas."

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