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A solução é inovar

"Aproximar empresas e universidade para termos um sistema de inovação forte, próspero, que gere riqueza e conhecimento"

Márcio Machado, gerente de Desenvolvimento, Ensino e Aprendizagem da Nokia Siemens Networks (NSN), instalada no PUCPR Tecnoparque, convive na prática com os desafios e triunfos da inovação, que é um dos três pilares estratégicos da empresa, ao lado do atendimento focado nas demandas de seus clientes e da qualidade dos produtos e serviços oferecidos para o mercado. A Nokia Siemens é reconhecida mundialmente como uma das três maiores do segmento de Telecom, um dos mais competitivos da nova economia global. Segundo Machado, inovar é a moeda que garante que a Nokia Siemens seja percebida como a empresa preferida neste mercado. São milhares de funcionários em todo o mundo envolvidos integralmente nos processos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Nesta entrevista, Márcio Machado reforça a importância da inovação para o sucesso de uma empresa e avalia os obstáculos que fazem o Brasil estar a alguns passos atrás de países como Coreia do Sul, China e Índia.

 

Qual a importância da inovação para as empresas?
É vital para a existência de qualquer organização, seja pública ou privada. Excetuando-se alguns poucos segmentos da economia, para todas as outras áreas, principalmente aquelas que carregam forte conteúdo tecnológico e/ou estão expostas à competição internacional, a inovação é (ou deveria ser) um dos pilares de sustentação da gestão das empresas, capaz de garantir sua longevidade.

No Brasil, houve avanços?
Penso que, como país, estamos trilhando o caminho correto, porém ainda lentamente. Reconheço os bons progressos realizados com a disponibilização de programas de incentivo à inovação, de novas legislações que apoiam a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação. A decisão de adicionar a letra "I" de inovação à sigla do Ministério da Ciência e Tecnologia demonstra a percepção correta do Governo Federal sobre o papel fundamental da inovação. É um ato simbólico que tomará proporções maiores e sinaliza à sociedade a mudança rumo a uma sociedade mais criativa. Há que mencionar também os enormes progressos na área acadêmica, onde formamos, anualmente, crescentes números de mestres e doutores.

Quais são os obstáculos para que a inovação ganhe força no Brasil?
Nossas autoridades públicas e privadas precisam entender que uma tonelada de grãos e carne de frango tem muito valor, mas alguns quilos de química fina trazem um retorno muito maior. Devemos sim nos orgulhar pelas conquistas já obtidas na agroindústria, na mineração, no petróleo, fortalecendo-as. Mas também devemos atribuir valor estratégico a outras áreas do conhecimento que podem gerar até maiores vantagens econômicas para o país com menores investimentos e impactos ambientais. Países desenvolvidos entenderam a vantagem competitiva do conhecimento há décadas e prosperaram muito, sendo geradores de tecnologia. Precisamos fazer parte deste seleto grupo.

Como está o processo hoje?
Para as empresas de tecnologia da informação e comunicação, as ações do Governo Federal concretamente iniciaram com a Lei de Informática que procurou atrair a cadeia de produção e gerar conteúdo local. Funcionou bem até um certo momento. Por exemplo, nossa empresa, que está estabelecida no Brasil há mais de 100 anos e em Curitiba há quase 40, foi apoiada pela Lei de Informática. Inovamos, criamos e produzimos muitos novos produtos, serviços e soluções localmente. No momento em que a manufatura no Brasil perdeu competitividade, seja pelo alto custo de produção (câmbio, principalmente) e/ou surgimento da indústria asiática, deveríamos ter nos antecipado como país e migrado para atração de empresas de software e design. O programa teve evolução tardia com a Lei do Bem e outros mecanismos de suporte, como contratação de mestres e doutores por empresas com subsídio de programas do governo. Perdemos, como país, o timing. Poderíamos estar hoje melhor posicionados ao lado da Índia, por exemplo, se tivéssemos movido a peça certa no tempo certo.

Qual seria o modelo ideal para que as empresas brasileiras invistam mais em inovação?
Organizações da Sociedade Civil, empresas, universidades e governos deveriam agir proativamente em favor do fortalecimento do Sistema Nacional da Inovação. Outras ideias seriam: simplificar o acesso e a prestação de contas para que os participantes dos programas de financiamento operem com tranqüilidade e segurança; maior agilidade nos trâmites processuais; criação de mecanismos que, de fato, aproximem os protagonistas do Sistema Nacional da Inovação, que são empresas, governos e universidades; concessão de um selo de organização inovadora, que teria maior facilidade de crédito, obtenção de fundos, isenção de impostos para importação de insumos para P&D&I como laboratórios; criar escolas de inovação, usando organizações federais que oportunizem ao empreendedor acesso ao conhecimento, a processos, a ferramentas para melhorar seu portfólio de produtos e serviços e estabelecer uma cultura de inovação em sua comunidade; e aumentar a segurança jurídica. Por último, tão importante quanto às outras sugestões, precisamos transformar o sistema de ensino e rapidamente. Precisamos ensinar nossas crianças, adolescentes e jovens a pensarem "fora da caixa", a serem criativos, a empreenderem, a gostarem da matemática e outras disciplinas abstratas que são insumos do pensamento criativo.

A união entre empresa e universidade é necessária neste contexto?
É fundamental. Universidades são parte do Sistema Nacional de Inovação em qualquer país. Uma grande empresa antes de se instalar em uma região pesquisa a quantidade de boas universidades que existem por lá, sua capacidade de formar bons profissionais e suas linhas de pesquisa. A aproximação é desejada e existe espaço para interessantes projetos conjuntos. É uma grande simbiose. Precisamos aproximar estas duas entidades rapidamente, quebrar barreiras para que tenhamos um sistema de inovação forte, próspero, que gere riqueza e conhecimento.

Tornar o Brasil um país modelo em inovação é um projeto de curto, médio ou longo prazo?
Considerando os indicadores atuais, trata-se de um projeto de longo prazo, com possíveis bons resultados intermediários de muito valor. Para chegarmos ao grupo dos que andam na frente na área de inovação, como Alemanha, EUA, Japão, Coréia, Inglaterra e França, tendo China, Índia e Rússia no segundo pelotão, precisamos resolver questões básicas, ainda que tenhamos ilhas de prosperidade na agroindústria, aeroespacial, mineração e petróleo. Mas a construção de um grande castelo começa com o assentamento do primeiro tijolo. Penso que em 25 anos, com programas agressivos de financiamento, simplificação e educação, chegaremos lá.

Qual seria o diferencial do Brasil?
O brasileiro é empreendedor, corajoso e perseverante nos negócios. O poder criativo do brasileiro é um ativo importante. Temos vários excelentes exemplos de empresas nacionais de sucesso, inovadoras, como Petrobras, Embrapa, Embraer, Vale, Gerdau, Weg, Natura, OBoticário, entre muitas. Há muitas riquezas a serem descobertas nas florestas da Amazônia e nas matas do cerrado; nos subsolos de nossas terras e mares. Há muita invenção na cabeça de muitos brasileiros. Precisamos gerar um ambiente aberto, democrático, propenso à criação, que inicie nas escolas e termine na criação e manutenção de pequenos, médios e grandes empreendimentos. Temos potencial (riquezas naturais inexploradas, superfície, população), temos vocação, precisamos remover os poucos obstáculos rapidamente. Não podemos perder mais tempo. As commodities não garantirão a estabilidade econômica para sempre. A África está sendo irrigada. Logo, logo será um competidor agrícola. Temos que explorar outras riquezas no Brasil. Conhecimento que leva a inovação é a alavanca.

"Precisamos ensinar nossas crianças. adolecentes e jovens a serem criativos,
a empreenderem, a gostarem da matemática e outras disciplinas abstratas
que são insumos do pensamento criativo"

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